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Noventa e
cinco anos
Noventa e cinco longos anos se passaram desde que nossos primeiros
imigrantes pisaram pela primeiríssima vez em terras
brasileiras.
Esses imigrantes superaram as inúmeras dificuldades
que a dura realidade lhes reservava e, desta forma, foram
construindo as bases da comunidade nipônica, tal como
a conhecemos hoje em dia.
Honrando essa trajetória de mérito, palavras
de homenagem e de felicitação foram proferidas
pelas personalidades, quais sejam o presidente da Associação
Okinawa Kenjin do Brasil (Okinawa Kenjinkai); o governador
da província de Okinawa, Sr. Inamine; o governador
do estado de São Paulo, Sr. Geraldo Alckmin; o secretário
de comunicação de governo e de gestão
estratégica da república, Sr. Luís Gushiken;
representante da delegação da Assembléia
Legislativa de Okinawa; representante das autoridades municipais
de Okinawa (shityouson); representante dos estagiários-técnicos
e bolsistas; representante do Junior Study Tour (neto de imigrante
que veio no Kassadomaru).
Seguem abaixo as citadas palavras de homenagem:
Palavras de Abertura
~ Chochi Miyagui, presidente da Okinawa Kenjinkai
Neste dia de hoje, em que comemoramos os 95 anos de Imigração
Japonesa - um marco histórico, gostaria de ressaltar
o quão gratificante é poder estar realizando
esse evento na presença de tão ilustres convidados
citando, a começar, o Sr. governador Inamine e sua
esposa, da província de Okinawa, a delegação
da Assembléia Legislativa okinawana, a delegação
das autoridades municipais de Okinawa (shityouson), a representação
das senhoras. E, da parte do Brasil, contamos com o Sr. Luís
Gushiken - secretário de comunicação
de governo e de gestão estratégica da república
- e sua esposa; representantes do governo do estado de São
Paulo e da cidade de S. Paulo; empresariado nacional; órgãos
que representam a "Colônia", além de
associados da Kenjinkai.
São 95 anos que se passaram após a chegada,
no Porto de Santos, dos 781 imigrantes japoneses, dentre os
quais 325 provinham de Okinawa. Esse fato histórico
se deu no dia 18 de junho de 1908.
A trajetória seguida por esses imigrantes dos primeiros
tempos, que chegaram a bordo do "Kassadomaru", foi
repleta de adversidades. Caminho espinhoso e tortuoso tal
que não há palavras que expressem com a devida
precisão o que foi que eles tiveram de enfrentar.
O livro "A História da Imigração
Okinawana para o Brasil", publicada por nossa Kenjinkai,
é uma tentativa de registrar essa história.
Sabendo-se do perigo representado por doenças fatais
locais, próprias do ambiente tropical brasileiro, como
a malária e sem ter a quem recorrer, não foram
poucas as pessoas que ficaram perdidas para sempre em meio
às aterrorizantes condições a eles impostas.
Não havia opção outra, senão trabalhar
naquelas condições precárias. Viviam
no limite entre a vida e a morte.
Felizmente, muitos conseguiram bravamente vencer esses obstáculos
iniciais. Prosseguiram adiante, pois tinham consigo o espírito
desbravador utinanchu.
Mais tarde, após tomarem consciência da realidade
dos fatos no Brasil, decidiram, por eles mesmos, deixarem
de ser meros imigrantes "dekasseguis" (trabalho
subordinado, com intenção de encaminhar riquezas
para o país de origem) para se tornarem imigrantes
permanentes, incorporando a ambição de se instalarem
definitivamente por aqui, para explorarem economicamente as
terras brasileiras. Daí o interesse suscitado em relação
a Campo Grande, Santos, as áreas das linhas ferroviárias
de Juquiá e Noroeste.
Fundaram-se mais e mais "colônias" e foi lutando
contra as medidas restritivas do governo japonês (Ministério
de Relações Exteriores), estas, aplicadas indiscriminadamente
contra a imigração de okinawanos que se recebiam
os novos imigrantes.
No entanto, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial,
os japoneses passaram a ser vistos como povo inimigo e sofreram
mais hostilidades. Muitos que ainda estavam na costa litorânea
brasileira foram obrigados a se afastarem da região,
não havendo outra alternativa senão adentrarem
para o interior brasileiro, além de terem todo o seu
patrimônio confiscado.
Além disso, a derrota do Japão na guerra, em
1945, gerou divergência interna na "Colônia",
pois uns defendiam que o Japão tinha saído vencedor,
em contraposição àqueles que afirmavam
ter sido o Japão derrotado. A comunidade nipônica
ficou toda desestruturada.
Com a reabertura do fluxo migratório em 1953, todos
tomaram consciência do fato da derrota e, dessa forma,
a comunidade nipônica voltou a se desenvolver nos passos
certos.
Nossos antepassados, frente a destruição da
terra natal, decidiram se organizar numa Associação
nacional entre okinawanos, reforçando os laços
de união para acolherem imigrantes do período
pós-guerra.
Enfim, acabamos de recordar, de maneira simplificada, a história
vivida por nossos imigrantes aqui no Brasil, a qual não
foi, de maneira alguma, pacífica ou confortável.
Devemos ressaltar, mais uma vez, que esses imigrantes dos
primeiros tempos, por mais problemas eles tivessem de enfrentar,
mantiveram-se firmes. A firmeza de seu espírito, o
esforço, a obstinação, a paciência
são atributos especialíssimos. "Ityariba
tyoudê" e "omanjin no kokoro" garantiram
a união entre eles, sedimentando chão para o
desenvolvimento dessa comunidade.
São coisas que não devemos esquecer jamais.
Herdei, pois, dos meus antepassados o coração
utinanchu.
Gostaria de terminar estas palavras de agradecimento, desejando
que cresçamos nestas terras brasileiras. Rogo também
pela saúde e felicidade dos senhores.
Palavras de Felicitação
~ Keiichi Inamine, governador da província de Okinawa
Na presença de ilustres convidados, a citar, o excelentíssimo
governador do estado de São Paulo, Sr. Geraldo Alckmin,
a excelentíssima prefeita da cidade de São Paulo,
Sra. Marta Suplicy e o excelentíssimo secretário
de comunicação de governo e de gestão
estratégica, Sr. Luís Gushiken, é de
meu desejo felicitá-los pela realização
desse grande evento.
Ao voltarmos os olhos para o passado, encontrar-se á
aquele okinawano desbravador que, com o peito carregado de
sonhos e de esperanças veio ao Brasil em busca de novas
terras.
Sim. São 95 anos que se passaram após esse okinawano
ter registrado seus primeiros passos em terra brasileira.
O que esses primeiros imigrantes encontraram, porém,
foi uma realidade hostil, num quadro que reunia toda sorte
de dificuldades: diferenças culturais, problemas de
comunicabilidade e de adaptação a condições
climáticas estranhas a eles. Unidos pelo amor à
mesma pátria, combateram tais obstáculos, ajudando-se
mutuamente e agindo com sabedoria e coragem. E assim foi sendo
erguida a comunidade nipônica no Brasil.
Quero, assim, manifestar o profundo respeito que lhes tenho.
Em tempos mais recentes, o que se pode observar é o
enraizamento do modo de viver utinanchu e o florescimento
de nossa cultura, legados transmitidos, geração
pós geração, a partir daqueles imigrantes
pioneiros. Okinawanos participam e colaboram ativamente de
diversos da sociedade brasileira, seja na Política,
na Economia ou na Cultura.
É motivo de grande alegria e orgulho saber que cooperamos
com o desenvolvimento de ambos os países.
O êxito de nossos imigrantes foi possibilitado, em grande
parte pela determinação pessoal de cada um,
mas também pela boa recepção e compreensibilidade
por parte do governo brasileiro e seu povo.
Bom, Okinawa também se encontra em nova fase, passados
58 anos após a 2ª Guerra Mundial, e vem se desenvolvendo
de ano a ano. Isso também nos é possível,
em grande parte, graças ao apoio de nações
companheiras como o Brasil. Novamente, gostaria de, devidamente,
expor nossa gratidão.
Ano passado, na ocasião do 30º Ano de devolução
de Okinawa para o domínio japonês, foi arquitetado
um plano de dinamização de Okinawa. Baseados
nesse plano, pretendemos o desenvolvimento de uma Okinawa
independente, que fale por si só, e a garantia de uma
boa qualidade de vida para seus habitantes.
Estamos, pois, desdobrando-nos e articulando-nos nesse sentido.
Assim, esperamos a compreensão e o apoio de todos.
Finalizo, deixando aqui sinceros votos de sucesso aos okinawanos
do Brasil e progresso à República Federativa
do Brasil, ratificando as homenagens às ilustres pessoas
que se notabilizaram pelo distinto trajeto de suas vidas.
Felicitações.
Palavras de Felicitação
~ Kokiti Iramina, representante da Assembléia Legislativa
de Okinawa
Em representação à Assembléia
Legislativa de Okinawa, venho oferecer palavras de felicitação
neste evento que comemora o 95º Aniversário da
Imigração Japonesa.
Queremos também mostrar o imenso respeito que temos
para com a Associação Okinawa Kenjin do Brasil,
pelo modo como tem acentuado o desenvolvimento dos descendentes
okinawanos dentro da sociedade em geral.
Como é de conhecimento de todos, os primeiros imigrantes
okinawanos desembarcaram do "Kassadomaru" em 1908
no porto de Santos.
Depararam-se com muitas dificuldades, como as decorrentes
da diferença de linguagem, de estilo de vida e de costumes,
as quais, em sendo superadas, foram sedimentando as bases
da comunidade nipônica como a temos hoje em dia.
Ao lançarmos nossos olhares sobre a história
desses 95 anos, sentimentos de admiração, respeito
e gratidão só têm a se aprofundar.
A propósito, constata-se que, atualmente, o Brasil
tem 1,3 milhão de habitantes nipônicos e, dentre
estes, 10% são de origem okinawana. Esses descendentes
okinawanos atuam com destaque em áreas como a da Política,
da Economia, da Educação, da Cultura, entre
outros. Em prol do desenvolvimento da nação
brasileira, vêm contribuindo brilhantemente, notabilizando-se
na sociedade brasileira. Essa realidade foi construída
a partir dos reiterados esforços daqueles primeiros
imigrantes, em meio às condições hostis.
É, para nós, motivo de grande orgulho.
Aproveitando-se a extraordinária ocasião desse
95º Aniversário da Imigração Japonesa,
os descendentes okinawanos devem reforçar os ímpetos
de cooperação, a fim de que o Brasil, o Japão
e, mais especificamente, a província de Okinawa possam
se desenvolver cada vez mais, havendo relação
de companheirismo entre aqueles.
Por parte de nossa Assembléia Legislativa, também,
intencionamos concentrar nossos esforços no sentido
do desenvolvimento das relações internacionais.
Enfim, gostaríamos de encerrar esses cumprimentos com
votos de sucesso à Associação Okinawa
Kenjin do Brasil e zelando pela saúde dos associados.
Palavras de Felicitação
~ Masakazu Nakasone, vice-presidente da Associação
dos prefeitos de Okinawa, em representação às
autoridades municipais (shityouson) de Okinawa
Primeiramente, gostaria de felicitar-lhes pela realização
deste evento de hoje em comemoração aos 95 Anos
de Imigração Japonesa.
É com imensa alegria e satisfação que
compareço aqui, em nome das autoridades municipais
de Okinawa, tendo a oportunidade de me encontrar com os senhores.
Foi em 18 de junho de 1908 que o "Kassadomaru" trouxe
até o porto de Santos os 325 imigrantes okinawanos
(de um total de 781 imigrantes japoneses) para trabalhar na
agricultura em regime familiar. Noventa e cinco anos se passaram
após esse episódio.
Um fato bastante interessante é que, no Japão,
justamente esse dia - 18 de junho - foi fixado como o "dia
da imigração", remetendo àquele
fato histórico, portanto.
Como deve ser do conhecimento de todos, nossa Okinawa, desde
os antigos tempos, sempre foi um povo das águas, tanto
que tem sua história de desbravadora dos mares.
Esse espírito aventureiro, que o faz lançar-se
para fora, continuou pulsando nos okinawanos da contemporaneidade
e, talvez por isso mesmo, tanto antes quanto após a
guerra, muitos okinawanos resolveram atravessar o oceano.
De fato, aqui no Brasil, os okinawanos representam 10% da
população nipônica, o que significa 1,3
milhão de pessoas, conferindo-lhes densidade dentro
da própria comunidade nipônica.
Nem seria preciso mencionar que a história da Imigração
não foi de todo tranqüila. Os primeiros tempos
da Imigração foram anos extremamente difíceis,
mas foram justamente o sofrimento e esforço desses
anos que deram frutos para o agora. É algo em torno
do qual se deve refletir seu significado.
Sustentados pelo que poderíamos chamar de espírito
okinawano - "Yui-Máru Seishin"; "Fukutsu
no seishin" - os pioneiros da 1ª geração
atravessaram uma geração, vencendo sobre as
terríveis condições de trabalho lhes
imposta. Seus descendentes, da 2ª geração,
por sua vez, encarregaram-se de "preparar o terreno"
para o florescimento das gerações posteriores.
Com uma história assim às costas, os descendentes
das 3ª e 4ª gerações herdaram sua
identidade daqueles pioneiros, os quais sempre respeitaram
as diferenças culturais.
Hoje em dia, muitos desses descendentes okinawanos estão
estabilizados na sociedade brasileira, chegando até
mesmo a atuar abrangentemente nas mais diversas áreas
e categorias sociais.
É motivo de orgulho e satisfação.
Sabe-se que Okinawa se localiza, em relação
ao Brasil, exatamente do outro lado da Terra. Em tempos difíceis
para a nossa província, como o período posterior
à devastação da guerra, temos a lembrança
de termos recebido caloroso apoio por esse país tão
longínquo para nós. E mesmo hoje, como neste
evento, promove-se sempre uma maior integração
dessas duas nações.
O sentimento pela pátria sustentado pelos senhores
acabou nos servindo como incentivo e inspiração.
Por isso tudo, gostaria de agradecer mais uma vez.
Merece ser lembrado também que, na ocasião da
realização do 3º Campeonato Utinanchu,
muitos participantes vinham do Brasil. Encontros emocionantes
e cenas comoventes se deram por lá. É nesses
momentos que podemos sentir um significado mais profundo das
coisas.
Nós somos sim diferentes quanto à nacionalidade,
mas somos unidos sob os mesmos antepassados, fazendo-nos irmãos.
Irmãos que naturalmente devem reforçar os laços
entre si.
Finalizo estes meus cumprimentos desejando infinito sucesso
à República Federativa do Brasil e à
Associação Okinawa Kenjin do Brasil. Saúde
e felicidades para todos.
Palavras de Felicitação
~ Luís Gushiken, Secretário de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica
Hoje se completam 95 anos após os imigrantes terem
deixado Okinawa, atravessando o mundo para aportarem aqui
no Brasil.
Certamente, os 150 mil imigrantes okinawanos nem poderiam
imaginar que um dia chegariam a participar de uma tarefa tão
empolgante como a construção deste país,
que outrora os acolheram.
O sonho dos imigrantes era de começar uma nova vida
ou, até mesmo, de recomeçar a vida nesta terra
estrangeira, poder criar seus filhos dignamente.
Nós que somos filhos, netos e bisnetos dos imigrantes
que vieram a bordo de navios como o "Kassadomaru",
sonhamos em nos fazer pessoas capazes de valorizar o suor
derramado e o sofrimento suportado por eles, pessoas competentes
para receber a herança por eles deixada, esta tão
repleta de significado.
Essa herança consiste na "FORÇA" nascida
na experiência e na prática, no "IDEAL",
de se fazer com que o Brasil seja cada vez mais conhecido
como um país onde o trabalho de homens e mulheres honestos
é reconhecido e retrubuído, na "ALEGRIA"
de nos sentirmos parte do passado, do presente e do futuro
deste jovem país.
Palavras de Felicitação
~Irene Noborikawa (estagiária/2003), representante
dos estudantes-bolsistas/estagiários-técnicos
De 1908, quando o Kassadomaru aportou em Santos, até
o dia de hoje se passaram 95 anos.
Quero, assim, cumprimentá-los nesta ocasião
em que se realiza tão amplamente este evento comemorativo,
com a presença de ilustres convidados, a começar
pelo Sr. Governador da província de Okinawa, Sr. Keiichi
Inamine e sua esposa.
Eu desfrutei da oportunidade de estudar em Okinawa como estagiária-técnica
no ano de 2002.
Desde a fundação do sistema de bolsa (custeado
pela província), em 1970, foram beneficiados por Okinawa
72 estudantes-bolsistas, 23 estagiários-técnicos
e, em 2001, 10 pessoas pelo Junior Study Tour.
Atualmente, na população brasileira, há
150 mil descendentes okinawanos e, dentre essas pessoas, nós
fomos selecionados para estudar como estudantes-bolsistas
ou como estagiários-técnicos, sob assistência
da província.
De como fui recebida calorosamente pelo povo de Okinawa. Das
coisas que aprendi na "umarejima" (ilha natal) de
meus avós, rodeada por um belíssimo mar e um
verde exuberante. Jamais esquecerei; são lembranças
que ficarão para sempre guardados em meu coração.
Devemos nossos sinceros agradecimentos à Kenjinkai
pela oportunidade nos oferecida e ao pessoal da província
de por ter desenvolvido um sistema tão maravilhoso
que proporciona tantos sonhos e esperanças.
De maneira que, o possível será feito para que
as coisas que aprendemos em Okinawa sejam utilizadas, positivadas
na sociedade brasileira.
Os laços que unem Okinawa e Brasil devem se manter
reforçados para que esse sistema maravilhoso possa
estar continuamente beneficiando-nos.
Completaram-se, então, 95 anos de imigração.
Desejamos que os descendentes okinawanos progridam e prosperem
cada vez mais neste Brasil.
Condolências
~ Rubens Yoshiiti Yonamine (ex-"embaixador do povo"),
neto de imigrantes do Kassadomaru
Há exatamente 95 anos, chega ao cais do porto de Santos
o primeiro navio vindo do Japão ao Brasil, o Kassadomaru.
No dia 18 de junho de 1908 o Kassadomaru baixou sua âncora.
Setecentos e oitenta e um (781) imigrantes japoneses desembarcaram,
sendo que trezentos de vinte e cinco (325) provinham de nossa
província, Okinawa. E entre esses imigrantes okinawanos
se encontrava também quem veio a ser o avô de
minha mãe, Sr.Iha Miyashiro. Tinha apenas 18 anos na
época e trazia o peito inflado de sonhos e determinação
em sua alma.
De início, trabalhou com agricultura e esteve, a partir
de então, em diversos lugares, vindo, finalmente, a
se estabelecer em São Paulo.
A bem da verdade, não tenho muitas lembranças
desse meu bisavô, mas olhando para as marcas de seus
passos, logo percebemos que guardam muita semelhança
com a de outros imigrantes: são pessoas que se lançaram
para fora de Okinawa em busca da terra prometida.
Era fato sim que o Brasil era um país de extenso território,
mas para aí sobreviver muitos obstáculos haviam
de ser vencidos. Problemas não faltavam.
Todos os presentes nesta missa sabem muito bem do caminho
árido e tortuoso tomado por nossos primeiros imigrantes,
conforme os fatos registrados com precisão e detalhes
no livro "90 anos após o Kassadomaru", publicado
pela Associação Okinawa Kenjin do Brasil no
ano passado.
O que podemos perceber, através de uma leitura deste
livro comemorativo é o forte sentimento de culto aos
nossos antepassados, primeiros imigrantes, comum aos descendentes
okinawanos.
Isso pode ser facilmente compreendido se observarmos que,
em todas as "shibus" espalhadas pelo Brasil, cultiva-se
o comum costume de realizar-se, precedentemente a quaisquer
eventos, um ritual de oferenda de nossas mais profundas condolências
em memória dos imigrantes dos primeiros tempos.
Cercados por sofrimentos, por vezes inenarráveis, decorrentes
das difíceis condições de trabalho, barreira
da linguagem, hábitos alimentares diferentes, doenças
e saudades da distante terra natal deixada para trás.
Apesar de se encontrarem desamparados, sem desanimar, foram
superando esses problemas um a um, motivados pela força
de seu espírito utinanchu, fazendo do problema à
frente trampolim para o próximo desafio.
Outro ponto admirável é que mesmo tendo optado
por um caminho mais difícil ou diga-se insano, não
se abandonou essa pessoa que é pai das crianças,
é marido. Não. Caminharam juntos, acompanhando-se
até o fim de suas vidas. E, pensando em como tudo isso
tem grande significado, não posso deixar de manifestar
quanto respeito tenho pelos primeiros imigrantes de Okinawa,
pelas "anmá" (mulheres) de Okinawa.
As "fujinkais" (associação das mulheres)
que temos hoje em dia foram, certamente, fundadas por essas
"anmás", pois podemos ver o vulto dessas
mulheres de fibra, de coragem. Herdou-se delas essa força,
esse vigor, essa perseverança e nem seria necessário
dizer que as "fujinkais", assim fundadas, é
que são responsáveis pelo sopro de vida, pelo
impulso imprimido às atividades da Kenjinkai. Como
pedras de fundação.
E, por fim, peço permissão para dizer em termos
pessoais que, quando fui designado para a honrada função
de "embaixador do povo", fui calorosamente recebido
no 3º Campeonato Utinanchu, em 2001, para o qual fui
convidado.
Quero aproveitar a ocasião para dirigir meus sinceros
agradecimentos, em especial ao Sr. Governador Keiiti Inamine
e sua esposa e às delegações convocadas,
para as quais agradeço na pessoa do Sr. Masahiko Takara,
líder de uma delas.
RELATÓRIO DO JUNIOR STUDY TOUR
2003 - CAROLINA MIDORI NAKAMURA
"Sou Carolina Midori Nakamura, tenho 18 anos, no momento
sou estudante, e participei do Junior Study Tour 2003. O Junior
Study Tour deixou uma forte lembrança em minha mente.
Eu embarquei daqui do Brasil com uma certa insegurança,
pois sei falar o básico da língua japonesa e
nada sei do inglês, mas quando reunimos para começar
o intercâmbio, o pessoal da organização
fez o possível para que nos sentíssemos em casa.
Ficamos em Okinawa por dez dias (18 a 28 de julho).
Durante o Homestay fiquei na casa da família que só
conhecia por fotografia. Nos cinco dias do intercâmbio
passeamos por Naha, visitamos o governador, Museu Memorial
da Paz onde o Governo de Okinawa fez uma bela homenagem para
aqueles que faleceram na Segunda Guerra Mundial, o castelo
de Shurijo foi a residência oficial dos Reis do Reino
Ryukyu, no Gyokusendô aprendemos um pouco sobre o buyô
(dança de Okinawa), em Yanbaru tem o Hiji Ohtaki que
é a maior cachoeira de Okinawa, no Ocean Expo Park
tinha show de golfinhos, aquário e praia. Durante todo
este tempo comemos desde o verdadeiro Okinawa sobá
até um tradicional churrasco, participamos de festas,
games e fogueiras.
No último dia fizeram uma festa de despedida, onde
ganhamos um certificado por ter participado do Junior Study
Tour e cantamos, cansamos, choramos e nos divertimos.
Em Okinawa conheci pessoas de línguas e culturas diferentes
e aprendi a conviver com todas elas, aprendi mais ainda sobre
a cultura okinawa que não é tão diferente
quanto ao que me ensinaram aqui no Brasil, mas poucos preservam
isso, evoluí um pouco da minha língua japonesa,
conheci parentes, mostrei como realmente é o Brasil,
fiz vários amigos que até hoje mantenho em contato
e realizei um sonho meu que era ir para a terra natal de meus
pais algum dia. E com certeza algum dia passarei este magnífico
espírito utinanchu para meus herdeiros. Gostaria de
agradecer a todos os organizadores do Junior Study Tour, toda
esta minha felicidade eu devo a eles."
MENSAGEM DO GOVERNADOR DO ESTADO DE
SÃO PAULO - GERALDO ALCKMIN
Os imigrantes que desembarcaram do Kassato Maru, em Santos,
no dia 18 de junho de 1908, vinham em busca de uma vida nova
em um novo país. Mas certamente não imaginavam
que traziam as sementes de uma nova vida para o novo país
que os acolheu como filhos e mais que isso, como participantes
decisivos da enorme evolução social, econômica
e cultural que o Brasil alcançou ao longo de quase
um século.
Aqueles 791 imigrantes do Kassato Maru deram origem a uma
comunidade que chega a sua 5ª geração,
os gosseis, com mais de um milhão e quatrocentas pessoas
espalhadas por todo o nosso território, influenciados
por eles. Enfim, gente perfeitamente integrada à grande
família brasileira.
São Paulo se orgulha de ter sido destino daqueles pioneiros
e hoje abriga mais de 70 % dos japoneses e seus descendentes.
E reconhece a grande contribuição deles para
o seu desenvolvimento e seu progresso.
No início, desbravaram sertões e transmitiram
sua experiência para o cultivo de nossas terras. Depois,
passaram a ter participação ativa em todos os
setores da vida brasileira, no comércio, na indústria,
na política, nas universidades e centros de pesquisas,
nas artes e nos esportes. Sempre como parceiros fieis que,
sem renunciar à identidade cultural de seus ancestrais,
ajudam a construir nosso Estado e País.
Por todas essas razões, é bastante prazeroso
ao Governo de São Paulo, no ensejo das comemorações
pela Associação Okinawa Kenjin do Brasil dos
95 anos de imigração, agradecer e saudar a comunidade
japonesa e seus descendentes. E, especialmente, dar boas vindas
e desejar uma feliz estada entre nós à Sua Excelência
Sr. Kenichi Inamine, governador da Província de Okinawa,
que nos honra com sua visita.
BANZAI
RELATÓRIO DO JUNIOR STUDY TOUR
2003 - MÔNICA MAYUMI ARASHIRO
"É com grande felicidade em meu coração
que estou aqui para contar a minha volta à Okinawa,
mesmo nunca tendo ido lá anteriormente. Através
do Junior Study Tour 2003, tive uma experiência única
que jamais pude imaginar viver. Ao chegar em Naha, tudo era
diferente para mim e ao mesmo tempo familiar. Encontrei minha
Oba e meus tios da parte da minha mãe e meus tios da
parte do meu pai que não se conheciam, mas que graças
ao intercâmbio os laços de família se
solidificaram.
Quando conheci os outros participantes da minha idade fiquei
impressionada. Pois mesmo sendo jovens de outros países
tão diferentes, senti como se fôssemos irmãos.
Conhecemos a Prefeitura de Okinawa, a Avenida Kokusai, onde
encontramos muitos shissás e todo tipo de alimento
feito a base de "Goya", o Castelo de Shuri do qual
a arquitetura se impõe, Yanbaru que possui uma fauna
rica e encantadora pois é muito valorizada por Okinawa
e portanto fortemente preservada, e no Ocean Expo Park vimos
peixes coloridos e de todo tipo.
Duas vezes durante o intercâmbio me apresentei cantando
e tocando "shamissen" com a música Assadoyá
Yuntá. Muitos puderam cantar comigo ou simplesmente
acompanhar com palmas o que me deixou muito emocionada. Em
uma dessas apresentações convidei outras participantes
para cantarem comigo no palco e também dançar.
Durante o Homestay meu tio Teruo me deu um presente. Era um
"shamissen". E que pertencia a ele há anos
e que agora, está sendo para mim um grande incentivo
para me dedicar mais a esse instrumento que é meu hobby.
Houve um dia que fizeram uma fogueira, tivemos um jogo entre
equipes, em que aprendemos a dançar músicas
pop japonesas enquanto que os outros participantes também
aprenderam a dançar músicas brasileiras. O entrosamento
foi incrível.
O lugar que mais me marcou foi o Parque Memorial da Paz. Recordo-me
de uma gruta que simulava um esconderijo de família
utinanchu, que, com medo e com fome, ouviam o som de um tanque
de guerra americano se aproximando cada vez mais. Dá
arrepio e lembramos que nossos antepassados sofreram e batalharam
muito para estarmos aqui hoje, portanto devemos preservar
todos esses valores.
A festa de despedida foi emocionante, pois sabíamos
que provavelmente seria o último dia de todos nós
estarmos juntos. Alguns de nós nunca mais iríamos
nos encontrar ou demoraria a nos ver novamente. Mas ao mesmo
tempo, sabíamos também que nossos destinos foram
traçados e que jamais iríamos nos esquecer daquilo
que vivemos.
Sou muito privilegiada de ser utinanchu, e cada vez mais tenho
mais orgulho das minhas origens. Depois dessa experiência
estou com minhas metas mais claras tendo uma visão
mais ampla do mundo e das pessoas.
Obrigada a Deus, a todos responsáveis por essa oportunidade,
ao governador Kenichi Inamine, à Prefeitura de Okinawa,
a todos os organizadores e autoridades, à Associação
Okinawa Kenjin do Brasil e à minha família que
sempre me apoiou tanto.
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Sr. Tomoaki Yonaha, Secretário Chefe da AOKB e Redator
Chefe do boletim informativo AOKB.
Associação Okinawa Kenjin do Brasil
Secretaria - R. Thomas de Lima, 72
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CEP 01513-010
Horário de funcionamento da secretaria:
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