Dança

Kumi odori


Ilha de notável musicalidade, a refinada dança de Okinawa é de extrema complexidade e elegância, e é sem dúvida uma das mais importantes de todas expressões culturais japonesas. Vai desde o gênero clássico que foi desenvolvido durante o período do Reinado de Ryukyu, para serem apresentados à nobreza real e missões chinesas, como refinada forma de tratamento e hospitalidade, até a simplicidade e irreverência do gênero folclórico, ambas indissociáveis do shaminsem.

Reconhecido e admirado internacionalmente, desde o passado remoto quando recebeu o título de "Terra da Cortesia" de antigo imperador chinês, até os dias de hoje, a dança de Okinawa é ainda apresentado no mundo inteiro como destaque, dentro daquilo que hoje se convencionou classificar de "dança étnica".
De acordo com José Yamashiro(1), basicamente a dança de Okinawa pode ser classificados da seguinte forma:

1) Danças tradicionais provenientes das comunidades rurais, fazem parte do grupos das danças folclóricas, conhecidas como Minyo.

2) Dança clássica desenvolvidos especialmente para a nobreza Real do Castelo de Shuri em cerimonias especiais para entronar Reis, ou para outras cerimonias solenes, a dança clássica desenvolvida em Okinawa, mantém uma tradição de séculos. Registros apontam que em 1603, o shogun Ieyasu Tokugawa fora presenteado pelo príncipe Ozato de Ryukyu com uma apresentação da imortalizada dança Gujin-fu e Yanagi-bushi, diante da tamanha admiração e repercussão, alguns historiadores acreditam que a dança de Ryukyu encontrava-se em estágio mais avançado que o restante do arquipélago japonês na época. As danças eram também oferecidas para comitivas de missões diplomáticas, desta forma o Reino de Ryukyu recebeu o título de antigo Imperador da Dinastia Ming o Título de "Terra da Cortesia", o que revela o reconhecimento da dança de Ryukyu pelo antigo Império Central.

Neste período as apresentações, eram desempenhadas exclusivamente por homens, inclusive nos papéis femininos, assim como no teatro Nô, as mulheres eram poupadas para se evitar a cobiça dos estrangeiros.

As danças clássicas singularizam o máximo em elevada espiritualidade, honorabilidade e beleza numa só expressão. O cerimonial de apresentação, geralmente em palco, exige além da música acompanhada pelo shaminsen, sobriedade nos cenários, beleza e refinamento na apresentação dos trajes e da maquiagem, serenidade e elevada espiritualidade nos movimentos. Gujin-fu ou Gozefu que pode ser traduzido como a "Dança da Corte" é a dança mais apresentada do gênero clássico . Composto por cinco partes: Kagiyajifu Bushi, Unna Bushi, Nakagusiku Hantame, Nagai Heya Bushi e o Kuti Bushi, são indispensáveis nas cerimonias e solenidade. Destes, o Kagiyajifu que quer dizer "júbilo" é a mais marcante.

Composto em forma de poema Ryuka(2), reza a lenda que foi composto pelo ministro Oragusuku em 1556, para entronar o primogênito do rei Shogen, o príncipe Tsuruchiyokane. Oragusuku, único favorável à Tsuruchiyokane, que era mudo de nascença, compôs e encenou o Kagiyajifu diante de tanta alegria ao ver o príncipe herdeiro falar pela primeira vez. O fato se deu quando o príncipe impediu que o ministro fizesse o seppuku (harakiri) em protesto contra os opositores de Tsuruchiyokane que após a morte do Rei Shogen, queriam impedir que ele assumisse o cargo.

"A alegria que hoje eu sinto é como uma flor que se abre, cheio de orvalho da manhã".

De 1556 para cá o Kagiyájifu é apresentado em todas as aberturas de cerimônias e solenidade, e em eventos para se presentear uma pessoa muito ilustre, um tratamento que eleva o presenteado ao nível de um rei. Em Okinawa, os idosos quando atingem 88 anos são dignos de receberem esta homenagem.

3) Dança popular -Zo Odori, criadas e desenvolvidas nas eras Meiji, Taisho e Showa. Este gênero
geralmente exprimem a vida cotidiana das antigas vilas e aldeias.

4) Ushideku Udui danças de caráter religioso desenvolvidas somente por mulheres como parte dos rituais em lugares sagrados.

5) Eisá ,trata-se de uma dança bastante popular realizado nas comunidades rurais por jovens e adolescentes nas festividades dedicados aos mortos, o "Obon" , que em Okinawa é no mês de julho e é chamado de Shitiguati. Em Okinawa, uma semana após o Tanabata(1) e durante quatro dias consecutivos, acredita se que os espíritos dos mortos vêm fazer uma visita ao mundo dos vivos, e como para os utinanchu os espíritos dos mortos e dos ancestrais são elevado ao nível de divindade, se faz tradicionalmente grandes folguedos populares para homenagea-los. Cultos, oferendas, fogos e principalmente a dança Eisá marcam esta festividade. Esta dança é caracterizado pelo ritmo das batidas dos Taikô e do Shaminsen, pela beleza da jovialidade dos integrantes e dos trajes coloridos e principalmente pela espiritualidade de sua apresentação.

Destacam-se ainda na arte cênica :

O Kansen odori que era dedicado as missões chinesas é constituído por uma combinação de dança e cantos.
O Kumi odori, constituído por apresentação de danças, poemas, diálogos e narrativas. A apresentação de kumi udui leva de trinta minutos a duas horas, segundo alguns especialistas, o kumi udui possui influências do tradicional teatro Nô.

1)em sua obra "Okinawa, uma ponte para o mundo".
2)o Ryuka é uma gênero de poesias de Okinawa.

Texto: Yukihide Kanashiro

 

 

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