Meu nome é Glaucia Nency Takara, tenho 17 anos, sou sansei
e pertenço ao kaikan de Santa Maria.
Gostaria de deixar registrado aqui meus agradecimentos ao governo
okinawano por possibilitar o aprofudamento da cultura a descendentes
desta ilha que encontram-se em toda parte do mundo, à dedicação
dos coordenadores e voluntários do Junior Study Tour 2002,
à Associação Okinawa de Santa Maria e à
Associação Okinawa do Brasil por ter concretizado um
sonho meu ao me selecionar.
Ficamos em Okinawa por 7 dias (21 à 28 de Julho) respeitando
a programação feita pelo governo. Como no primeiro dia
podíamos passear por conta própria, nós, brasileiros
(acabamos por levar nossos amigos argentinos), decidimos assistir
à apresentação de buyô representadas pelas
meninas de nosso país. Tive uma sensação de orgulho
ao ver o sorriso nos rostos do público okinawano. No dia seguinte,
na Festa de Boas Vindas, Jackeline Shirado (Campo Grande-MS) e eu
sambamos e todos divertiram-se com o ritmo e os movimentos da música
brasileira. O "sucesso" foi tanto que todas as noites pediam
para ensinar-lhes samba.
Visitamos vários lugares tais como: o Prédio do Governo,
o Castelo de Shuri e o Museu Memorial da Paz que foi o lugar que mais
marcou a viagem para mim já que vi duas coisas que nunca esquecerei:
o filme sobre a Batalha de Okinawa devido ao sofrimento da população
e as lápides onde estão cravadas os nomes de todos os
mortos na guerra. Desta forma, aprendi a valorizar ainda mais a vida
e refletir sobre a paz mundial.
Conhecemos ainda um pouco de Naha (capital de Okinawa). Em Gyokusendo,
o grupo dividiu-se para aprender sanshin, buyô (odori) ou karatê.
Escolhi o buyô já que quando era criança praticava
este tipo de dança. Depois, o grupo tocou Eisa. Nesse momento,
me senti mais próxima da cultura okinawana. Em Yanbaru (região
Norte), fizemos ecoturismo conhecendo a Natureza, a importância
de preservar os mangues e ainda caminhamos até chegar a cachoeira.
Tivemos, também, oportunidade para ir a praia.
No último dia, houve uma Festa de Despedida que foi muito comovente
já que o grupo se entrosou de tal maneira que até hoje
mantemos contato pela internet, por cartas e algumas vezes por chamadas
telefônicas.
Gostaria de dizer que não agi como turista: senti o calor do
povo okinawano e vivi a cultura fortalecendo então meus laços
culturais. A viagem foi uma complementação em muitos
sentidos; uma experiência única que contribuiu para meu
desenvolvimento pessoal, abrindo caminhos na minha vida e incentivando
a manter e a valorizar a cultura. Um exemplo disso é que eu
resgatei o shamisen do meu bisavô e comecei a praticar as aulas
no kaikan de Santa Maria há 1 mês. É isto que
revela a tradição...É passar tudo o que você
sabe e todos os seus sentimentos sobre Utiná de geração
para geração. E hoje sinto que sou madura em relação
a isso e que tenho uma grande bagagem que foi e está sendo
ampliada graças ao Junior Study Tour. Muito obrigada e sou
mais uchinanchu agora!