Junior
Study Tour - 2003
Mônica Mayumi Arashiro - São Paulo-SP
É com grande felicidade em meu
coração que estou aqui para contar a minha volta a Okinawa,
mesmo nunca tendo ido lá anteriormente. Através do Junior
Study Tour 2003 tive uma experiência única que jamais
pude imaginar viver. Ao chegar em Naha, tudo era diferente para mim
e ao mesmo tempo familiar. Encontrei minha Obá e meus tios
da parte da minha mãe e meus tios da parte do meu pai que não
se conheciam, mas que graças ao intercâmbio os laços
de família se solidificaram.
Quando conheci os outros participantes
da minha idade fiquei impressionada. Pois mesmo sendo jovens de
outros países tão diferentes, senti como se fossemos
irmãos.
Conhecemos a Prefeitura de Okinawa; a Avenida
Kokusai, onde encontramos muitos shissás e todo
tipo de alimento feito a base de goyá; o Castelo
de Shuri do qual a arquitetura se impõe; Yanbaru que possui
uma fauna rica e encantadora pois é muito valorizada por
Okinawa e portanto fortemente preservada; e no Ocean Expo Park vimos
peixes coloridos e de todo o tipo.
Duas vezes durante o intercâmbio
me apresentei cantando e tocando samissen com a música
Assadoyá Yuntá. Muitos puderam cantar comigo ou simplesmente
acompanhar com palmas o que me deixou muito emocionada. Em uma dessas
apresentações convidei outras participantes para cantarem
comigo no palco e também dançar. Durante o homestay
meu tio Teruo me deu um presente. Era um samissem. E
que pertencia a ele há anos e que agora, está sendo
para mim um grande incentivo para me dedicar mais a esse instrumento
que é meu hobby.
Houve um dia que fizeram uma fogueira,
tivemos um jogo entre equipes, e aprendemos a dançar músicas
pop japonesas enquanto que os outros participantes também
aprenderam a dançar músicas brasileiras. O entrosamento
foi incrível.
O lugar que mais me marcou foi o Parque
Memorial da Paz. Recordo-me de uma gruta que simulava um esconderijo
de família uchinanchú, que, com medo e com fome, ouviam
o som de um tanque de guerra americano se aproximando cada vez mais.
Dá arrepio e lembramos que nossos antepassados sofreram e
batalharam muito para estarmos aqui hoje, portanto devemos preservar
todos esses valores.
A festa de despedida foi emocionante, pois
sabíamos que provavelmente seria o último dia de todos
nós estarmos juntos. Alguns de nós nunca mais iríamos
nos encontrar ou demoraria a nos vermos novamente. Mas ao mesmo
tempo, sabíamos também que nossos destinos foram traçados
e que jamais iríamos nos esquecer daquilo que vivemos.
Sou muito privilegiada de ser Uchinanchú,
e cada vez mais tenho mais orgulho das minhas origens. Depois dessa
experiência estou com minhas metas mais claras e tendo uma
visão mais ampla do mundo e das pessoas.
Obrigada a Deus, a todos os responsáveis
por essa oportunidade, ao Governador Keiichi Inamine, a Prefeitura
de Okinawa, a todos os organizadores e autoridades, a Associação
Okinawa Kenjinkai do Brasil e a minha família que sempre
me apoiou tanto.
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