Entrevista
- Marcos Aguena
MARCOS AGUENA, UM DESCENDENTE DE OKINAWANOS
NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
Publicitário,
ator, radialista e humorista. Marcos Aguena, 36 anos, sansei
(terceira geração) descendente de okinawanos,
trabalha nos meios de comunicação há
catorze anos. Atualmente, Aguena é produtor dos programas
Paulo Jalaska" e "Pânico", atuando neste
também como o personagem "Japa", da rádio
Jovem Pan FM. Entre outras atividades, ele é sócio-proprietário
da empresa de comunicação Communicare e dá
aulas da matéria Técnicas de Criação,
Produção e Programação Radiofônica,
da Escola Rádioficina de São Paulo.
Apesar de bastante ocupado, Aguena, atencioso e simpático,
concedeu-nos essa entrevista, através da qual nos conta
um pouco mais de seu dia-a-dia, de como iniciou sua carreira
e de seu envolvimento com a cultura okinawana.
Okinawa.com.br-
Como e quando você começou a trabalhar no
rádio?
Marcos
Aguena- Na verdade, eu comecei na televisão.
Em 1989, fiz um teste para ser dublador no programa "O
Cabaré do Barata", da antiga TV Manchete, apresentado
pelo Agildo Ribeiro. Entre 90 candidatos, eu e um colega de
Santos fomos selecionados para fazer dublagens e imitações.
Quando eu já estava na Manchete, esse meu colega de
Santos trabalhava em uma rádio, aos sábados,
em um programa humorístico. Então ele me chamou
para trabalhar e, a partir desse momento, comecei de fato
no rádio. Desde 1989 até hoje, ininterruptamente,
venho trabalhando nessa área de comunicação.
Atualmente, faço mais a parte de produção,
porém ainda faço alguma coisa no microfone também.
Passei por onze emissoras de rádio e, nesse meio tempo,
trabalhei por quatro anos na Rádio Nikkey. Inclusive
o Paulo Miyagi, um dos apresentadores dessa rádio,
ofereceu-me bastante apoio e incentivo nesse meio.
Okinawa.com.br-
Publicitário, ator e radialista. Sua formação
é bastante eclética, apesar de tudo estar relacionado,
de certa forma, à comunicação. Como você
foi parar justo em um programa como o "Pânico"?
Marcos Aguena-
Eu entrei na Jovem Pan porque o Jô Soares, na época
ainda trabalhando no SBT, havia me entrevistado como único
humorista oriental. O dono da Jovem Pan assistiu a essa entrevista.
Ele a achou interessante, convidou-me para trabalhar na rádio,
já me colocando no "Pânico".
Okinawa.com.br-
Você deve se divertir bastante como humorista, mas
não deve ser nada fácil manter o bom-humor,
a criatividade e a irreverência o tempo todo. De onde
tirar tanta inspiração, sendo que o programa
é ao vivo? O improviso dificulta seu trabalho?
Marcos Aguena-
Na verdade, eu me divirto, mas passo mais é nervoso.
Como o programa é ao vivo, a cobrança é
intensa, pelo fato da Jovem Pan ser uma rádio de grande
porte. No começo, quando ainda não estava acostumado,
eu levava muita bronca. Hoje em dia, já estou acostumado
ao ritmo do programa e até prefiro que seja assim.
A interação com o ouvinte é maior e as
coisas ocorrem em tempo real. Gravado, também, perde
um pouco a graça. Além disso, o programa todo,
praticamente, é na base do improviso. Isso acho que
revela um pouco de seu sucesso.
Okinawa.com.br-
Às vezes, as brincadeiras feitas durante o programa
não agradam a todas as pessoas, embora isso seja divertido
para o público ouvinte. Vocês costumam receber
algum tipo de reclamação?
Marcos Aguena-
Reclamação, processo...isso ocorre porque o
dono da rádio sempre levantou temas polêmicos.
O programa é caracterizado por isso: trotes, brincadeiras
e humor. É claro que existem pessoas que não
gostam e ameaçam processar. Contudo isso faz parte.
Acho que se incomoda, de certa forma, tem um público.
O programa é direcionado aos jovens e eles gostam de
tirar um sarro e fazer gozação. E se há
reclamações por parte da juventude, nós
procuramos mudar esse foco.
Okinawa.com.br-
Qual o objetivo principal do "Pânico"?
Não há um lado mais educativo e cultural?
O programa é 100% entretenimento. Nós não
visamos atingir esse fim mais didático. Devido ao horário,
que é de almoço, as pessoas estão no
trânsito, estressadas, portanto, preferem ouvir algo
que as descontraia, as faça rir.
Okinawa.com.br-
A cultura okinawana influencia de alguma forma seu cotidiano
ou modo de ser?
Marcos
Aguena- Na época em que meus avós
eram vivos, meu contato com a cultura de Okinawa era maior.
Quando eu era pequeno, meu avô vivia tocando sanshin
e eu ficava só escutando. Havia muitas festas nos kaikans
(clubes destinados à comunidade japonesa ou okinawana).
Inclusive minha família é associada ao kaikan
de Santo Amaro. Dentro do possível, procuro preservar
muitas coisas da cultura. Tudo em que eu puder ajudar e incentivar,
na medida do possível, faço, apresento eventos
dentro da comunidade. Como levo uma vida bastante agitada
promovendo eventos da Jovem Pan por diversas cidades, estou
sempre ocupado. Mas ainda pretendo conhecer a terra de meus
avós. Isso seria bastante gratificante.
Okinawa.com.br-
Você acredita que os okinawanos e descendentes possuem
uma veia artística ou espécie de "dom"
por tantos deles estarem presentes nos meios de comunicação?
Marcos Aguena-
Acredito sim. O espírito artístico para a dança,
música, para a área cultural em geral, são
notáveis. Tanto que o Satoru Saito, jovem dançarino,
está aí na ativa até hoje para comprovar
isso. Bom, acho que sempre tive sorte de ter um "dom"
para trabalhar nos meios de comunicação. Há
muitos descendentes que acabam se dando bem nessa área.
O Ricardo Uechi, locutor da Transamérica, também
é um exemplo.
Entrevista realizada pela colaboradora - Yone Shinzato do
Curso de Graduação de Jornalimo- PUC- SP
Link do Marcos Aguena
www.jovempanfm.com.br/
equipe_jp/japa.php
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