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Entrevista - Tontonmi
Apesar
da correria do dia-a-dia por causa do trabalho e dos estudos,
os integrantes do Tontonmi - Tiemi, Harumi, Kenji, Cristiane,
Mayumi e Alexandre - sempre encontram um tempo, aos fins-de-semana,
para ensaiar. Em uma entrevista bastante descontraída,
concedida ao site na residência da família Toma,
Tiemi e Kenji contam um pouco sobre os preparativos para o
lançamento do segundo disco da banda e de suas perspectivas
quanto à preservação da cultura de Okinawa
entre os descendentes nascidos no Brasil.
Okinawa.com.br:
Falem um pouco sobre o segundo CD do Tontonmi.
Tontonmi:
O CD traz uma grande variedade de músicas, tanto modernas
como tradicionais. A inovação é a roupagem
diferente que demos a estas canções. Nós
as interpretamos com arranjos próprios. O disco traz
12 faixas conhecidas, como, por exemplo, Asadoya Yunta, entre
outras, "personalizadas" pela banda.
Okinawa.com.br:
E qual seria essa "inovação"?
Tontonmi:
Procuramos mesclar instrumentos diferenciados (guitarra, violão,
contra-baixo, bateria e teclado) aos tradicionais (sanshin,
taiko, sanba) com o intuito de dar uma "cara nova"
às canções consagradas. Toda experiência
vivenciada no primeiro CD está, também, contida
no segundo.
Okinawa.com.br:
Vocês possuem alguma influência musical?
Tontonmi:
Rinken Band, Diamantes, Ayame Band, Nenes, China Sadao são
algumas das nossas fontes de inspiração.
Okinawa.com.br:
Qual o intuito da banda ao mesclar instrumentos ocidentais
com orientais?
Tontonmi:
Basicamente, buscamos despertar a atenção das
novas gerações para a cultura, incluindo a música,
de Okinawa. Os jovens são muito levados pela moda e
possuem gosto musical bastante diversificado. Eles ouvem rock,
pop, dance, techno, etc, e dificilmente as canções
tradicionais okinawanas costumam atrair sua atenção.
Este é o motivo pelo qual o Tontonmi procura inovar
em diversos aspectos.
Okinawa.com.br:
Vocês têm planos para fazer algum show futuramente?
Tontonmi: Às
vezes, mal temos tempo para ensaiar porque todos estudam,
trabalham ou possuem outras ocupações. Mas o
show ocorrerá, provavelmente, no ano que vem e lançará
nosso segundo disco. Vai ser o show da nossa vida! Aplicaremos
tudo o que aprendemos durante quinze anos.
Okinawa.com.br:
Qual o significado de fazer parte da banda?
Tontonmi:
Um meio de aprender um pouco mais sobre Okinawa. Muitas pessoas
questionam por qual motivo não cantamos em português.
Mas não é a mesma coisa porque parece que o
sentido da canção se modifica. Cantando em japonês
e uchinaguchi (dialeto de Okinawa) aprendemos muitas coisas.
Procuramos preservar uma cultura que parecis estar se perdendo.
Okinawa.com.br:
O Tontonmi, para vocês, é...
Tontonmi:
Cooperação, compreensão e amizade. Além
disso, encaramos tudo como um passatempo. Se isso fosse um
meio de vida, achamos que as coisas não ocorreriam
tão naturalmente, sem pressões. E também
muitos descendentes não dão o devido valor para
nossa cultura. É algo que vem de berço. Se você
quer ensinar para seus filhos, deve começar desde a
infância. Não se pode fazer as coisas de qualquer
jeito, tem que explicar o significado e a importância
de se preservar as tradições para que elas não
se percam. As prioridades que os pais colocam para os filhos
atualmente são outras: estudar, trabalhar, fazer cursos
de língua, etc. Por isso que o incentivo é tão
importante. Por isso buscamos incentivar a cultura de Okinawa.
Não para ela se tornar um mito, mas apenas
para ser sempre lembrada, a cada geração que
passa.
Conheça um pouco mais
o grupo Tontonmi »
Colaboração: Yone Shinzato, graduanda
em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação
e Filosofia, Comfil, da PUC- SP
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