1908~2003 - IMIM 95 anos

Chochi Miyagui, Presidente da Comissão Organizadora da Cerimônia

Nesta data estamos comemorando o marco histórico de 95 anos de imigração dos provincianos de Okinawa no Brasil. Agradecemos profundamente pela oportunidade proporcionada de realizarmos uma cerimônia comemorativa tão expressiva, honrados que estamos com a presença de Sua Excelência o Governador Keiichi Inamine da nossa Província Materna, da senhora Primeira-Dama, da Missão da Assembléia Legislativa da Província, representantes dos Municípios e das Mulheres da Província; outrossim, do Brasil contamos com a presença de Sua Excelência o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica Luiz Gushiken; representantes do Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo, do mundo empresarial, das entidades da Colônia Nipo-Brasileira, e de um grande número de senhores associados.

Desde o primeiro passo dado pelos 781 imigrantes japoneses, 325 dos quais de Okinawa, que desembarcaram no Porto de Santos em 18 de junho de 1908, passaram-se 95 anos. A jornada dos pioneiros daqueles primórdios, incluindo-se esses imigrantes do Kasato-maru, foi uma trajetória espinhosa e de sofrimentos que nenhuma descrição bastaria, como está registrado em detalhes no "Histórico da Imigração dos Provincianos de Okinawa no Brasil", de lavra desta Associação. Não foram poucas as pessoas que, mesmo sabendo que iriam se fixar em terras tomadas por doenças endêmicas como a malária, colocaram-se em situações totalmente adversas nas quais precisavam a todo custo trabalharem ininterruptamente, apavorados à beira da morte e não raro perdendo a vida. Todavia, os imigrantes daqueles tempos pioneiros, por piores e mais ingratas que fossem as situações nas quais foram colocados, jamais perderam o espírito Uchinanchu que os faziam suportar e superar todas as adversidades.

À medida em que foram se inteirando das condições no Brasil, foram almejando novas frentes do pioneirismo, como Campo Grande, na linha Santos/Juquiá e na linha Noroeste, deixando de lado a atitude de imigrantes "dekassegui" para se tornarem imigrantes desbravadores, instalando um grande número de núcleos pioneiros dos provincianos (colônias). Ao mesmo tempo, enfrentando medidas discriminatórias do Ministério das Relações Exteriores do governo japonês proibindo a imigração de okinawanos, foram recebendo novas levas de imigrantes.

Todavia, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Pacífico, voltaram a enfrentar novos sofrimentos, tratados como cidadãos inimigos, despejados das regiões litorâneas, inclusive Santos, tendo bens confiscados e sendo expulsos para o interior. Inobstante, a comunidade nipo-brasileira ficou rachada com o conflito entre vitoristas e derrotistas às voltas com a rendição japonesa de agosto de 1945. Com a retomada da imigração em 1953, conhecendo a realidade da derrota, a sociedade imigrante finalmente começou a se conscientizar. Os nossos precursores de imigração provinciana, organizando campanhas de assistência às vítimas da guerra para as pessoas na sua terra natal,reduzida a cinzas, uniram-se, constituindo uma associação okinawana no Brasil, reforçando novamente os laços entre os provincianos, construindo uma estrutura capaz de receber a imigração que foi sendo retomada.

Essa rápida passada de olhos pela trajetória dos imigrantes da província não faz de forma nenhuma jus às agruras que encontraram pelo caminho no Brasil. Estarei sendo redundante, mas os imigrantes que nos antecederam para hoje estarmos aqui jamais recuaram diante de quaisquer intempéries que se formaram diante de si. Com o espírito trabalhador, perseverante e esforçado que sempre os caracterizou, e com a união proporcionada pelo "Ichariba Chôdê" e pelo "Umanchu no Kokoro", abriram trilhas com as próprias mãos, construindo as fundações do progresso que hoje se verifica. Acredito que jamais deveremos nos esquecer de tudo isso. Devemos herdar esse "Espírito Uchinanchu", dedicando-Ihes o sentimento de gratidão e ajudando- nos uns aos outros, para que possamos progredir longamente nestas vastas terras brasileiras.

Encerrando, gostaria de renovar os meus votos de felicidade e saúde para todos hoje presentes.

 

 

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