Chochi Miyagui, Presidente
da Comissão Organizadora da Cerimônia
Nesta data estamos comemorando o marco histórico de
95 anos de imigração dos provincianos de Okinawa
no Brasil. Agradecemos profundamente pela oportunidade proporcionada
de realizarmos uma cerimônia comemorativa tão
expressiva, honrados que estamos com a presença de
Sua Excelência o Governador Keiichi Inamine da nossa
Província Materna, da senhora Primeira-Dama, da Missão
da Assembléia Legislativa da Província, representantes
dos Municípios e das Mulheres da Província;
outrossim, do Brasil contamos com a presença de Sua
Excelência o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica Luiz Gushiken;
representantes do Governo do Estado de São Paulo, da
Prefeitura Municipal de São Paulo, do mundo empresarial,
das entidades da Colônia Nipo-Brasileira, e de um grande
número de senhores associados.
Desde o primeiro passo dado pelos 781 imigrantes japoneses,
325 dos quais de Okinawa, que desembarcaram no Porto de Santos
em 18 de junho de 1908, passaram-se 95 anos. A jornada dos
pioneiros daqueles primórdios, incluindo-se esses imigrantes
do Kasato-maru, foi uma trajetória espinhosa e de sofrimentos
que nenhuma descrição bastaria, como está
registrado em detalhes no "Histórico da Imigração
dos Provincianos de Okinawa no Brasil", de lavra desta
Associação. Não foram poucas as pessoas
que, mesmo sabendo que iriam se fixar em terras tomadas por
doenças endêmicas como a malária, colocaram-se
em situações totalmente adversas nas quais precisavam
a todo custo trabalharem ininterruptamente, apavorados à
beira da morte e não raro perdendo a vida. Todavia,
os imigrantes daqueles tempos pioneiros, por piores e mais
ingratas que fossem as situações nas quais foram
colocados, jamais perderam o espírito Uchinanchu que
os faziam suportar e superar todas as adversidades.
À medida em que foram se inteirando das condições
no Brasil, foram almejando novas frentes do pioneirismo, como
Campo Grande, na linha Santos/Juquiá e na linha Noroeste,
deixando de lado a atitude de imigrantes "dekassegui"
para se tornarem imigrantes desbravadores, instalando um grande
número de núcleos pioneiros dos provincianos
(colônias). Ao mesmo tempo, enfrentando medidas discriminatórias
do Ministério das Relações Exteriores
do governo japonês proibindo a imigração
de okinawanos, foram recebendo novas levas de imigrantes.
Todavia, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e
a Guerra do Pacífico, voltaram a enfrentar novos sofrimentos,
tratados como cidadãos inimigos, despejados das regiões
litorâneas, inclusive Santos, tendo bens confiscados
e sendo expulsos para o interior. Inobstante, a comunidade
nipo-brasileira ficou rachada com o conflito entre vitoristas
e derrotistas às voltas com a rendição
japonesa de agosto de 1945. Com a retomada da imigração
em 1953, conhecendo a realidade da derrota, a sociedade imigrante
finalmente começou a se conscientizar. Os nossos precursores
de imigração provinciana, organizando campanhas
de assistência às vítimas da guerra para
as pessoas na sua terra natal,reduzida a cinzas, uniram-se,
constituindo uma associação okinawana no Brasil,
reforçando novamente os laços entre os provincianos,
construindo uma estrutura capaz de receber a imigração
que foi sendo retomada.
Essa rápida passada de olhos pela trajetória
dos imigrantes da província não faz de forma
nenhuma jus às agruras que encontraram pelo caminho
no Brasil. Estarei sendo redundante, mas os imigrantes que
nos antecederam para hoje estarmos aqui jamais recuaram diante
de quaisquer intempéries que se formaram diante de
si. Com o espírito trabalhador, perseverante e esforçado
que sempre os caracterizou, e com a união proporcionada
pelo "Ichariba Chôdê" e pelo "Umanchu
no Kokoro", abriram trilhas com as próprias mãos,
construindo as fundações do progresso que hoje
se verifica. Acredito que jamais deveremos nos esquecer de
tudo isso. Devemos herdar esse "Espírito Uchinanchu",
dedicando-Ihes o sentimento de gratidão e ajudando-
nos uns aos outros, para que possamos progredir longamente
nestas vastas terras brasileiras.
Encerrando, gostaria de renovar os meus votos de felicidade
e saúde para todos hoje presentes.
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