Mensagem de Rubens Yonamine
Autoridades presentes,
Minhas Senhoras, meus senhores.
No dia 18 de junho de 1908, há precisamente 95 anos,
atracava no Porto de Santos o navio Kasato Maru trazendo a
bordo a primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil. Eram
781 pessoas, procedentes de várias províncias
do Japão, sendo que 325 eram originários da
Província de Okinawa. Dentre esses imigrantes okinawanos,
estava aquele que viria a ser o meu avô materno, Sr.
Ihachi Miyashiro. Após ter trabalhado na lavoura e
ter passado por vários lugares, acabou por se instalar
em São Paulo onde se radicou definitivamente .
Estou lembrando um pouco da vida do meu avô, porque
sei que a sua história é idêntica a da
grande maioria dos imigrantes que deixaram Okinawa em busca
da Terra Prometida. E aqui encontraram sim, muita terra, mas
tiveram que enfrentar as condições mais adversas
para poderem sobreviver.
Todos conhecem profundamente o sacrifício por que
passaram esses nossos pioneiros, principalmente porque já
temos o registro na Associação Okinawa Kenjin
do Brasil, do relato de seus familiares, no premiado livro
editado com o título: “90 Anos desde Kasato Maru”.
Da leitura dessa obra podemos constatar o quanto a comunidade
okinawana no Brasil reverencia a memória dos seus imigrantes
pioneiros. Em todas as manifestações culturais
realizadas em qualquer “Shibu” espalhado pelo
Brasil, a primeira referência que se faz é sempre
a de homenagear os pioneiros, os desbravadores, os ”senpai”
como são chamados, expressão essa que já
nos acostumamos a ouvir com todo o respeito e carinho.
E essas homenagens vêm sempre acompanhadas dos sons
do “samisen”, instrumento do qual se valiam os
imigrantes para superar a saudade e lembrar de sua longínqua
pátria , como que convidando os entes queridos lá
deixados, para compartilhar das alegrias e tristezas que o
dia a dia lhes impunha.
Estamos homenageando hoje todos os pioneiros, que vindos
de Okinawa nos legaram através de seu trabalho, dedicação
à família, honestidade e determinação,
toda uma herança cultural e comportamental que nos
transformaram em cidadãos capazes de transmitir em
nossas atitudes os valores tão enaltecidos pelo povo
de Okinawa.
As condições de trabalho extremamente árduas,
as dificuldades da língua, as diferenças culturais,
a alimentação diferente, as doenças e
a saudade da Pátria distante, todos esses problemas
foram superados pelo espírito aguerrido do okinawano,
capaz de converter as dificuldades num desafio para vencer.
Predominava na época, e se mantém até
hoje, o espírito okinawano de “uchinanchu”,
baseado na união, na ajuda mútua e no respeito
aos antepassados.
E com base nesse legado os okinawanos vêm introduzindo
e disseminando a sua cultura entre todos os brasileiros: seja
através da arte culinária, da luta marcial,
das danças, da música e de tantas outras atividades
artísticas e culturais. E hoje, é com muito
orgulho e alegria que testemunhamos a pujança da comunidade
okinawana no Brasil.
Ela ocupa todos os espaços, sem exceção,
na vida brasileira : na lavoura, no comércio, na indústria,
nas universidades, passando pela política, pelos serviços
médicos e odontológicos, pelo esporte, enfim,
por todas as atividades que permeiam a nossa sociedade.
Com isso, podemos afirmar que os ideais dos nossos antepassados,
dos “senpai”, que hoje homenageamos, foram concretizados
através dos seus filhos e de todas as gerações
nikkey de descendentes. E graças a essa herança,
os 130.000 okinawanos e descendentes no Brasil podem comemorar,
com orgulho, esta grande data que marca os 95 anos da odisséia
do Kasato Maru.
Ao encerrar, gostaria de render uma homenagem às mulheres,
que jamais deixaram de acompanhar os seus maridos na trajetória
de sacrifícios que escolheram. E a figura da mulher,
da mulher típica de okinawa, está refletida
nos “fujinkais”, associações fundadas
por elas e que tem dado sustentação a várias
atividades do Okinawa Kenjin Kai até os dias de hoje.
Com as minhas saudações à comitiva vinda
de Okinawa para participar dos festejos comemorativos dos
95 anos de imigração , e com um agradecimento
especial ao Governador da Província Sr. Keiichi Inamine,
pela honrosa distinção que me foi concedida
de “Minkantaishi” de Okinawa, bem como pela magnífica
recepção dada a toda a comitiva brasileira por
ocasião do 3º Uchinanchu Taikai realizado em 2001,
eu encerro as minhas homenagens.
Muito obrigado a todos.
Rubens Yonamine
Representante de Imigrantes
(Neto de pioneiros do Kasato Maru)
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