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Grupo teatral Guekidan
Hatimaru apresenta musical "Ah, Marcha Tóquio"
Turnê pelo Brasil resgata canções
populares japonesas
Entre caixas pretas e cordas brancas que compõem um cenário
sugestivo e despojado, o Grupo Teatral 1980 (Guekidan Hatimaru),
do Japão, inicia em novembro sua turnê de confraternização
e intercâmbio Cultural Brasil-Japão. O Guekidan estará
se apresentando em várias localidades brasileiras com o espetáculo
músical Ah! Marcha Tóquio. O evento, com apoio da
Fundação Japão e promoção geral
da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), faz parte
das comemorações dos 450 anos da Fundação
da cidade de São Paulo e também dos 75 anos da Imigração
Nipônica na Amazônia.
A turnê inicia-se no dia 06 de novembro, na cidade de Manaus,
Amazonas, às 21 horas, no teatro Amazonas. Estão programadas
também performances em Belém, Brasília, Tomé
–Açú, Guatapará, comunidade Yuba, Ibiúna,
Rio de Janeiro e Colonia Yguazú , no Paraguai.
Na capital paulista o grupo sobe ao palco em duas ocasiões:
no dia 17 de novembro, às 20 horas, no CEU-Butantã
(gratuito), e no dia 21 de novembro, no auditório do (Bunkyo)
, às 15 horas, com o valor do ingresso a R$10 reais.
O Musical
O musical "Ah! Marcha Tóquio" conta a história
de Chiyako Sato, a primeira cantora japonesa a gravar um disco.
Vivida intensamente, sua vida e carreira atravessaram uma era de
mudanças, desde a década de 20 até os anos
60. Do livro de Ryoichi Yuki, Ah! Marcha Tóquio foi adaptado
para o teatro pelas mãos do mestre Den Fujita e do premiado
diretor Yukio Sekiya.
No musical serão utilizadas vinte e uma caixas e cordas
brancas que estarão transfigurando-se constantemente em cenários
sugestivos. Em determinados momentos, os próprios atores
fundem-se como parte desses cenários, transformando o espaço
do palco, todo negro, num caleidoscópio de cores cintilantes.
O repertório do espetáculo consta de mais de 50 canções
populares, que encantam mesmo aqueles que desconhecem a música
japonesa. As apresentações serão legendadas
em português.
Sugueki - “Teatro despojado”
A montagem do espetáculo "Ah! Marcha Tóquio"
foi feita em estilo sugueki (teatro despojado) e chegou a ser agraciada
com o prêmio Yomiuri. O sugueki abarca um estilo e método
de teatro desenvolvidos a partir da concepção tradicional
da dramaturgia japonesa (cujas expressões máximas
são o Nô e o Kabuki), conhecida como mitate, que é
o uso da metáfora visual, caracterizando-se pela simplicidade
e pureza da linguagem para alcançar alguma expressividade
mais profunda e intensa. Desprovido de cenários, figurinos
e maquilagens mais realistas, o sugueki atinge diretamente o imaginário
do público para chegar a uma percepção aguçada
da intensidade original da peça.
Desde a sua montagem pioneira, Ah! Marcha Tóquio já
foi apresentada mais de 300 vezes no Japão.
Programação da turnê:
06/11 – Manaus
Teatro Amazonas- às 21 horas
07/11 - Belém
Auditório da APANB (Nipo) – às 19 horas
09/11 – Tomé-Açu
Salão da ACTA – às 19 horas
11/11 - Brasília
Teatro do Sindicato dos Bancários- às 20 horas
14/11 - Guatapará
Kaikan da AACEG – às 19 horas
17/11 - São Paulo
CEU-Butantã- às 20 horas
19/11 - Ibiúna
Kaikan do CCI – às 20 horas
21/11 - São Paulo
Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa- às 15 horas
24/11 - Comunidade Yuba
Teatro Yuba- às 20 horas
27/11 - Rio de Janeiro
Casa de Cultura Laura Alvim – às 18 horas
02/12 - Colonia Yguazú
Kaikan de la Associación- às 20 horas.
Mais informações sobre as apresentações
e convites podem ser obtidos nos seguintes telefones:
São Paulo- (011) 3208-1755 – c/ Eliana
Manaus – (092) 234-7185 – c/ Nakamura
Belém- (091) 229-4435 – c/ Tsutsumi
Tomé-Açu- (091) 3734-1062 c/ secretaria da ACTA
Brasília- (061)301-1613 c/Hayashi
Guatapará- (016) 673-0088 c/Akemi
Ibiúna – (015) 3241-1100
Comunidade Yuba – (018) 3708-1247 c/Satiko
Rio de Janeiro – (021) 2533-0047 –c/Megumi
Colonia Yguazú 0632-20243 c/Watanabe
Perfil do Grupo Teatral 1980
“1980” se lê, “Ítchi, Kyú,
Hátchi, Máru”, que, em português seria,
“um, nove, oito,zero”. Sob os auspícios do diretor
de cinema e diretor da Escola Profissional de Cinema (atualmente,
Escola de Cinema do Japão), Shohei Imamura, é fundado
em 1980, e o nome foi tomado literalmente do ano de sua fundação.
Liderado por Den Fujita, desenvolve trabalhos em torno da apresentação
de peças de sua autoria. A cada ano, há montagem de
peça nova, e mais duas ou três do repertório.
Suas apresentações se realizam nas pequenas salas
na e ao redor da capital japonesa, principalmente, mas participa,
a convite, em muitos festivais nacionais e internacionais, e realiza
sessões especiais para grêmios de apreciação
teatral espalhados pelo território nacional.
O tema insistentemente reprisado pelo grupo é “A Comédia
Japão”: O que é o Japão, este estranho
país? O que é este povo sem jeito, os japoneses...
O trabalho do grupo se caracteriza por pinçar materiais,
não em grandes eventos ou temas, mas em episódios
perdidos no processo de modernização da sociedade
japonesa ou acontecimentos esquecidos no porão da sociedade
contemporânea.
As obras de Den Fujita, por sua vez, são comédias
coletivas que buscam juntar pacientemente as histórias ignoradas,
desfeitas, atiradas à obscuridade pelo Japão atual
em troca de aparente paz e prosperidade, e, iluminando-as, mostrar
a contradição e o engodo da sociedade atual. Tudo
para descrever esse povo despudorado, agarrado tentacularmente a
essa suposta prosperidade, usufruindo de forma cínicamente
inocente esse estado de aparente paz, obtida sob essas contradições
e engodos.
Fujita vem trabalhando com diversas aproximações
para examinar o “japonês” e o “Japão”.
A “Trilogia: Os Velhos” trata das resistências
algo sem esperança dos idosos abandonados pelo sistema social
vigente. A “Trilogia do Japonês Azarado” pincela
o desenvolvimento sócio-econômico do pós-guerra
japonês, do ponto de vista da vida dos vilarejos esquecidos
do interior; ou ainda, a “Trilogia: Meditação
sobre os japoneses nativos” se vale da reprodução,
através das artes folclóricas, de certos incidentes
esquecidos na modernidade japonesa mergulhada na política
de unificação do país após a restauração
Meiji, para responder à questão dos mecanismos de
dominação. Todos esses trabalhos receberam grandes
elogios da imprensa por também serem uma montagem ligeira
e um bom entretenimento.
A Peça “Ah! Marcha Tóquio”
Original: Ryoichi Yuki
Adaptação: Den Fujita
Direção: Yukio Sekiya
“Sugueki (Teatro Despojado), Ah! Marcha Tóquio”
estreou em Tóquio em 1993. A peça, com direção
bem humorada e satírica, e sua forma pioneira de “teatro
despojado”, foi muito bem aceita e recebeu o Grande Prêmio
do 1o. Prêmio Yomiuri de Dramaturgia - o Prêmio de Honra
ao Mérito de Direção. A convite, realiza turnê
por todo o Japão, a partir de 1994, passando por mais de
cem cidades, totalizando trezentas apresentações.
O elenco foi afinando a sua arte, não só tecnicamente,
mas sobretudo pelo contacto com a história viva da era Showa
(1925 - 1988) de cada local, e foi renovando a interpretação,
até atingir o esmero atual.
A obra original é um romance, do mesmo nome, de Ryoichi
Joh, que já foi adaptado para a televisão pela NHK.
Conta a história da Chiyako Sato, primeira cantora a gravar
discos no Japão. Den Fujita transforma em script o glamour
e os sucessos da cantora; acompanhando sua vida, analisa a história
contemporânea do Japão com um olhar crítico.
Às vezes, a narrativa põe no palco a personagem principal
em múltiplos momentos, fazendo com que a Chiyako anciã,
ou até falecida, veja os seus momentos de juventude, de glória
e decadência. Através desta estrutura que se sobrepõe,
a personagem reflete sobre o seu passado, vivido intensamente nos
anos de grande transformação da era Showa. Conta-se
que nos anos derradeiros fora vítima de câncer, vivendo
à custa do serviço social e que veio a falecer num
hospital do bairro de Shinjuku, Tóquio. O que teria ela pensado
no seu leito da morte? É a pergunta da cena final, dirigida
a cada um da platéia.
A direção está a cargo de Yukio Sekiya. O
“Sugueki (Teatro Despojado)” do título é
um formato teatral preconizado por esse diretor. Inspirado em “Mitatê”,
uma técnica expressiva tradicional do Nô e do Kyogen,
esse formato pretende obter, pelo despojamento e simplicidade, uma
maior comunicação e intensidade dramática.
É fruto de pesquisa que visa a trabalhar mais com a imaginaçào
do público, e dispensa cenários e figurinos mais “realistas”.
Nessa montagem, vale-se de 21 caixas negras mais algumas cordas
brancas, que se combinam em vários formatos e, às
vezes, até do corpo do ator, para compor o cenário.
A época turbulenta que foi a Showa é expressa através
de um “teatro despojado” e, em consonância com
as paisagens da memória do público, cenas resplandecentes
imaginárias florescem no espaço totalmente em preto.
As canções de época da trilha sonora são
interpretadas pelo elenco, que até imita instrumentos de
acompanhamento. Numa época mais singela, sem os karaokês,
qual teria sido o sentimento suscitado em cada um ao ouvir essas
músicas? A peça retrata a vida de Chiyako Sato e,
ao mesmo tempo, a história de gente comum, recriando o “palpitar
do coração” da época.
Fonte: Fundação Japão
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