LATINO-AMERICANOS NO JAPÃO ENVIARÃO CERCA DE US$2,7 BILHÕES A SEUS PAÍSES DE ORIGEM EM 2005, SEGUNDO FUNDO DO BID

Resultados de pesquisa sobre remessas destacam diferenças entre comunidades de imigrantes no Japão e nos Estados Unidos


OKINAWA, Japão – Imigrantes latino-americanos enviarão este ano quase US$2,7 bilhões do Japão para seus países de origem, de acordo com os resultados de uma pesquisa apresentados hoje em um seminário da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Os brasileiros, que formam cerca de 82% da comunidade imigrante de 430.000 pessoas, enviarão cerca de US$2,2 bilhões. Os peruanos, o segundo grupo em tamanho, deverão enviar cerca de US$365 milhões. Os outros US$100 milhões virão de outros imigrantes latino-americanos residentes no Japão.

O montante coloca o Japão como a segunda fonte de remessas para a América Latina e o Caribe, região que, no ano passado, recebeu US$45,8 bilhões enviados por seus imigrantes em todo o mundo. Os Estados Unidos, com 15 milhões de imigrantes latino-americanos, foi a fonte de US$35 bilhões. O restante saiu de países europeus, como Espanha, Itália e França.

Enrique V. Iglesias, Presidente do BID e Keiichi Inamine Governador de Okinawa

A pesquisa realizada em fevereiro entre brasileiros, peruanos, bolivianos, paraguaios, argentinos e colombianos residentes no Japão foi encomendada pelo Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) para o primeiro seminário da reunião anual da Assembléia de Governadores do BID, que ocorrerá entre 10 e 12 de abril.

O presidente do BID, Enrique V. Iglesias, que inaugurou o seminário sobre remessas e migração, disse que essas comunidades transnacionais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de redes em ambos os lados do Pacífico que fortalecem laços econômicos e sociais entre Ásia e a América Latina.

Iglesias destacou que a grande maioria desses imigrantes é formada por nikkeis, segunda e terceira gerações de descendentes de japoneses que imigraram para a América Latina nos finais do século 19 e no início do século 20. Os nikkeis latino-americanos constituem a maior diáspora japonesa do mundo.

As instituições como o BID, acrescentou Iglesias, devem encontrar maneiras de ajudar os nikkeis que desejem voltar para seus países de origem para criar empresas levando consigo a experiência profissional, os conhecimentos tecnológicos, os contatos de negócios e as significativas economias acumuladas no Japão.

Participaram também da abertura do seminário o governador de Okinawa, Keiichi Inamine, cujo avô emigrara dessa ilha para o Peru; o subgerente do Escritório Internacional do Ministério das Finanças do Japão, Kiyoshi Kodera; e a gerente do Departamento de Integração e Programas Regionais do BID, Norah Rey de Marulanda.

Latino-americanos no exterior

O Fumin, um fundo autônomo administrado pelo BID que começou a estudar o fenômeno das remessas há cinco anos, encomendou uma pesquisa para conhecer em maiores detalhes a experiência dos imigrantes latino-americanos no Japão. Nos anos anteriores, realizou sondagens similares nos Estados Unidos e diversos países latino-americanos.

O trabalho revelou diferenças significativas entre essa comunidade e a dos latino-americanos residentes em outras partes do mundo. Os latino-americanos que vivem no Japão têm renda maior e níveis de educação superiores aos de seus conterrâneos residentes nos Estados Unidos.

“Os imigrantes latino-americanos no Japão são os campeões mundiais de remessas em termos do volume de envios que fazem continuamente a suas famílias na América Latina”, assinalou Sérgio Bendixen, o pesquisador que realizou o levantamento para o Fumin.

Os latino-americanos que trabalham no Japão ganham entre cinco a dez vezes mais do que em seus países de origem. Aproximadamente 70% deles enviam recursos para seus familiares com alguma freqüência. A média per capita anual de remessas chega a US$8.000.

No Japão, onde aproximadamente 90% dos imigrantes latino-americanos têm contas bancárias, quase todo o fluxo de remessas passa pelo sistema financeiro. Nos Estados Unidos, onde menos da metade dos trabalhadores têm contas, as remessas passam por canais não financeiros.

Remessas e desenvolvimento

Os primeiros estudos do Fumin sobre remessas revelaram a magnitude destes movimentos de capital. Nos últimos cinco anos, os recursos excederam a soma de toda a ajuda externa e do investimento estrangeiro direto na América Latina. O levantamento também destacou os altos custos pagos pelos imigrantes para enviar recursos para suas famílias, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa.

Os projetos e atividades do Fumin no tema de remessas procuram promover a competitividade entre prestadores de serviço, reduzindo assim os custos para transferir dinheiro à região. Buscam também potencializar o impacto econômico dos fluxos, ampliando o acesso ao sistema financeiro para a população de baixa renda.

“O benefício será sentido quando conseguirmos ajudar as famílias a ter mais opções para seu dinheiro”, observou o gerente do Fumin, Donald F. Terry.

Em anos recentes, novos concorrentes ingressaram no mercado de remessas, tradicionalmente dominado por poucas empresas. Bancos, cooperativas de crédito, instituições de microfinanças e empreendedores com tecnologias inovadoras se interessaram por estes serviços. Como resultado, os custos das remessas caíram pela metade nos Estados Unidos.

Os nikkeis latino-americanos pagam comissões relativamente mais baixas, em parte porque enviam somas maiores (em média, US$600 por operação), pagando uma taxa fixa. Um banco brasileiro, inclusive, oferece serviços gratuitos de remessas a clientes preferenciais.

A pesquisa também mostrou que um em cada quatro nikkeis está economizando dinheiro para começar seu próprio negócio. No entanto, uma proporção similar comentou que estava no Japão pela segunda vez, porque os negócios que empreenderam acabaram fracassando.

Com o objetivo de ajudar os imigrantes que retornam aos seus países a ter mais chances de sucesso, o Fumin está apoiando dois projetos-piloto para pessoas que queiram voltar ao Brasil e ao Peru para se tornar empresários.

No Brasil, o Fumin trabalhará com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em um projeto chamado Dekassegui Empreendedor. O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, descendente de imigrantes japoneses, disse que o objetivo do projeto é garantir aos nikkeis que decidam voltar ao Brasil ferramentas de administração e comercialização capazes de criar empresas sustentáveis.

Fonte: BID - www.iadb.org

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