Movimento Dekassegui, O Capital Intelectual

Carlos Choji Kotinda- Paraná

Neste momento da globalização, quando buscamos transferências de tecnologias em todas as áreas, investimos em inteligência competitiva mas estamos perdendo as experiências e saberes adquiridos pelos nipo-brasileiros nesses 15 anos do movimento dekassegui.

Temos quase 400 mil pessoas retornadas ao nosso país que estão dispersas e marginalizadas do processo produtivo ou sub-empregadas.

São ex-funcionários das empresas japonesas que lá estiveram por muitos anos, trabalhando em ambientes com grande aporte tecnológico, operando sistemas de alta produtividade e conhecendo tecnologias que nem chegaram ao Brasil .

Como sistematizar todo esse capital intelectual ?
Criando centros de capacitação e treinamento nomeados de CADES – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Estruturado, onde todos retornados poderão fixar e transmitir seus conhecimentos e experiências por meio de processos interativos, a fim de obterem a visão sistêmica e serem qualificados como difusores dessas práticas. Valorizando a força produtiva através da organização de cooperativas de serviços, divididas em departamentos de acordo com o perfil do grupo e com sub-divisões por células de processo. Formando equipes multisetoriais segmentadas com competência e produtividade já testadas e aplicando conceitos avançados de qualidade .

Internalizados esses saberes, teremos várias equipes especializadas que poderão ser monitores de produção nas empresas, independente do parque industrial porque teremos um nivelamento superior da mão de obra que será o grande diferencial competitivo.

Nesses centros, também , as pessoas interessadas em trabalhar no Japão serão treinadas conforme as necessidades do empregador, promovendo sua imediata inserção no sistema produtivo. Ganhando a indústria e o funcionário que lá chegaria capacitado e sendo melhor remunerado. Conseqüentemente, seremos reconhecidos pelos empresários como provedores de mão de obra qualificada, abrindo a perspectiva de receber investimentos multinacionais .

Poderão ser alocados nas cidades onde já existem pólos convergentes para também serem utilizados na produção de componentes, ao receber através de parcerias internacionais, máquinas e equipamentos que foram substituídos pela nova geração, mas que ainda mantém um nível tecnológico superior aos similares nacionais.

O investimento para implantação será mínimo porque poderemos firmar convênios com o SENAI, SESI, SENAR e SENAC ou utilizar as instalações do extinto IBC por meio de parcerias com as indústrias locais , construindo escolas-oficinas e gerando novos empregos e aumento da qualidade de vida da comunidade .

A partir desse processo educacional / produtivo vamos formar técnicos que poderão trabalhar em ambientes de alta performance, trazendo divisas ao Brasil, melhorando a distribuição de renda e promovendo o desenvolvimento estruturado em várias regiões .

Como ex-dekassegui e pedagogo busco a implementação desse projeto e aguardo sugestões de aperfeiçoamento pelo e.mail : carloskotinda@hotmail.com porque o desenvolvimento não começa enquanto sonhamos .

Volta

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