Não sejamos todos culpados... outra vez

Silvio Sam, arquiteto e escritor. Autor do livro "Sonhos que de cá segui".
www.silviosam.com.br

Silvio Sam

Meio ano antes da última eleição, ou seja, pouco mais de 2 anos atrás, iniciei minhas manifestações (teimosias?) em relação a uma possível tragédia para a comunidade nikkey no Brasil nesse aspecto. Não se tratou de nenhuma previsão mediúnica, até porque não tenho esse poder sensorial. Apenas uma expectativa realista, função do marasmo geral que pairava em nosso meio acrescido do sinal já captado 2 anos antes (eleição retrasada) quando, devido à enorme quantidade de candidatos (paraquedistas), acabamos elegendo poucos (1,5 em São Paulo, para ser bem preciso).

Como a desagregação da comunidade era uma realidade e nossas principais instituições, responsáveis naturais pelo contrário, não cumpriam seus papéis, não foi difícil acertar minha previsão. Mesmo assim, ainda esperançoso (teimoso?), uma semana antes da eleição voltei a me manifestar. Como se fosse um último apelo. Em vão. Novamente com muitos candidatos (caso de São Paulo), a comunidade dispersa e nossas principais instituições como dantes... não elegemos, sequer, um! E nem mesmo com alguns candidatos gastando verbas exorbitantes em campanha. E por quê? Simples: porque aos nikkeis, hoje, com status sócio-econômico alto, não bastam essas festas de campanha. Até porque, muitos participam delas apenas por... razões nikkeis (?), pouco importando seu teor (candidato). O que se precisa, pois, é conscientizá-los de que, além da conquista do invejável status têm também uma missão cívica a cumprir enquanto cidadãos e que o resultado disso repercutirá até para a manutenção desse status.

É uma iniciativa que, na verdade, deveria partir dessas nossas instituições, mas como não dá para contar com isso (culpa do passado), vamos tentar fazer aqui uma reflexão (mais uma teimosia) diretamente com o leitor-cidadão.

“Bom, no meio da comunidade nikkey sempre existiu a cultura do ajudar o amigo, o parente ou alguém da tchurma, muitas vezes, independentemente de razões, méritos, etc., bastando os vínculos. Por isso, por exemplo, diretorias de associações nikkeis se perpetuam, eficientes ou não. Não estaria aí as explicações para as tragédias citadas (eleições passadas)? Com o número de candidatos muito elevado, os eleitores nikkeis, após serem lembrados de suas obrigações cívicas, acabam votando no amigo, parente ou alguém da tchurma... capacidades à parte. Daí, todos os candidatos acabam recebendo bons números de votos, diluídos que foram por esse espírito mais do que fraternal, mas insuficientes para serem admitidos naquelas egrégias casas. Algumas pessoas alegam, como uma das razões, o fato de muitos nikkeis não votarem em nikkeis. Isso é verdade e, pior... cobertos de razões (essa discussão fica pra próxima). Mas o importante é que, apenas com o número dos que ainda votam em seus consangüíneos é possível, ainda, elegermos um bom número de representantes. Ou seja, há salvação... ainda Como? Concentrando esses votos em candidatos capazes e não, simplesmente, no amigo, parente ou alguém da tchurma. Lógico que se o capaz escolhido for da tchurma melhor. E como saber quem é capacitado? Conversando com eles, analisando suas plataformas, investigando quem tem passado afim, etc. Como o nikkey, além do bom status sócio econômico tem também boa formação cultural, sua capacidade de discernimento também é elevada. Neutro, desvinculado dessa cultura, não há porque se preocupar com sua capacidade de escolha”.

Daí, o resultado, já neste ano, poderá trazer grande satisfação à comunidade!!

Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br

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