Debate A.C.E. Saúde
Silvio Sam
A ACE Saúde realizou um debate no dia 30 de julho
(p.p). Finalmente um debate, diriam alguns. Mas poucos souberam.
Soube dele apenas quem recebeu e-mail ou convite verbal da
comissão organizadora ou de algum amigo assessor de
um dos políticos convidados. Por sinal, quatro: William
Woo, Ushitaro Kamia, Jooji Hato e Aurélio Nomura (pela
ordem de como se sentaram à mesa). Foi uma iniciativa
válida tendo em vista não haver nenhuma outra
movimentação nesse sentido na comunidade.
Mas, diriam outros, por que apenas quatro se temos 30 candidatos
(segundo William Woo) nikkeis? E por que esses quatro, diriam
outros mais? Quem garante que são os mais credenciados
dentre os 30, conforme veio escrito em meu e-mail? Restrições
sempre vão aparecer em relação a essa
realização, inclusive de minha parte, mas não
se pode condená-la. “A intenção
foi boa”, apesar de ter sabido, em “off”,
que os candidatos só aceitaram comparecer após
promessa da comissão de que não abriria para
perguntas ao público. Ou seja...
A restrição, de minha parte, é em relação
a esse tipo de debate... com políticos. Quatro ou trinta,
pouco importa! Para mim, o momento é para se discutir
a situação de dispersão que paira no
seio da comunidade, incluindo essa indiferença cidadã.
Candidatos a representantes da comunidade são meras
conseqüências, surgem legitimados pela própria
comunidade. Se na comunidade nikkey não houver nenhum
capaz, shoganai (fazer o quê?), apesar de isso parecer
estranho em uma comunidade populosa como essa, de alto nível
econômico-social e cultural.
E por que é tão difícil assim encontrar
um quadro assim? Não seria por causa dessa dispersão?
Não deveria ser esse o foco do debate? Uma comunidade
fortemente agregada faz as coisas acontecerem sozinhas, “naturalmente”.
Até os kifus, por exemplo, para a realização
ou construção disso ou daquilo, aprovadas suas
viabilidades após exaustivos debates, viriam naturalmente
sem a necessidade daquela tradicional romaria “meia
boca”.
Não se pretende o retrocesso do olhar apenas ao próprio
umbigo e muito menos de formar uma comunidade forte e fechada,
como já circulou por aí algo meio... nazista,
até. E nem de propor a formação de algum
partido nikkey. Trata-se de discutir o significado de como
uma comunidade fortemente integrada pode contribuir de maneira
mais eficiente à nação ao formar uma
corrente com as demais comunidades imigrantes no país.
Nós, brasileiros, somos privilegiados. Que outra nação
possibilita intercâmbio cultural tão rico como
aqui, sem a necessidade de se cruzar fronteiras? Só
que intercâmbio significa troca, e troca implica em
ter também o que oferecer, ou seja, não apenas
receber. Mas para oferecer, nesse caso, é preciso um
auto-conhecimento (das raízes) profundo. Qual a melhor
maneira de se obter isso? Dispersos é que não
deve ser.
Um debate com essa pauta e com público tão ilustre
como o desse debate, por seu caráter formador de opinião
e multiplicador, não seria muito mais útil a
essa comunidade prestes a completar 100 anos de imigração?
Sílvio Sam, Assoc. de Amigos do Memorial do Imigrante
(SP).
Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br
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