KOIZUMI CHOROU, MAS..

Silvio Sam, arquiteto e escritor. Autor do livro "Sonhos que de cá segui".
www.silviosam.com.br

Silvio Sam

Pois é, quebrando o protocolo, o ministro Koizumi se emocionou diante do público que o recebeu no Bunka quando de sua visita a São Paulo. Chorou, mas deixou claro que a ajuda financeira para as comemorações do centenário (2008), pode vir sim, desde que para projetos ou eventos aprovados com o consenso de toda a comunidade nikkey no Brasil. Então é bom a comunidade, isso sim, começar a chorar... ou reagir, porque, mais uma vez, essas eleições revelaram o contrário!

Pronto, lá vem o chato, dirão alguns. O pior é que alguns ainda se confundem e acham que, por isso, defendo a formação de uma comunidade forte e fechada. Nada disso. A insistência em tocar no assunto é apenas porque, para mim, o natural em qualquer comunidade é a integração. Não é por nada não, mas depois de Da. Midory K. Figuti, diretora técnica do Memorial do Imigrante do Estado de São Paulo, desconfio que eu seja o nikkey mais ligado a todas as demais (mais de 60) comunidades imigrantes no Brasil. Ao menos, porque também faço parte da associação de Amigos daquele mesmo Memorial. Ou seja, não tenho porque defender nenhuma comunidade fechada.

A insistência se baseia apenas na realidade. Realizar um Festival do Japão que atrai cerca de meio milhão de pessoas não significa integração. Principalmente para quem conhece o perfil nikkey que herdou dos ancestrais algo chamado MIÊ (aparência). Não é de graça que a sociedade japonesa (a de lá) é chamada de sociedade das aparências. O sucesso do Festival é resultante de uma série de razões advindas também dessa característica que vai desde a cultura de exploração do voluntarismo, a um “boom” de interesse pelos de outras etnias em relação à cultura japonesa e ao oportunismo aproveitando-se de um evento que foi lançado sem essa pretensão, mas que atingiu tal amplitude. Para não ser injusto, reconheçamos que o sucesso também se deve ao trabalho sempre muito bem organizado, característico da comunidade.

Esse intróito foi dado apenas para tentar entender, conjuntamente, como uma comunidade consegue realizar um evento desse porte e não fazer o mesmo em termos de representatividade nas egrégias casas. Ainda se não tivessem pessoas capacitadas, vá lá. Mas os organogramas de muitas grandes empresas do país e os destaques isolados de nikkeis do conhecimento público, de quando em quando, revelam que a comunidade tem esses quadros. Então, por que, mesmo assim, não elegem representantes àquelas casas? Ou, mesmo quando alguns são eleitos, fica claríssimo que não os foram por ela?

Quem pode afirmar que a comunidade nikkey é que elegeu William Woo? Isso poderia até ser afrontoso para ele que, claramente, chegou lá por próprios méritos. O currículo dele na primeira gestão comprova isso. A comunidade apenas contribuiu para sua excepcional posição dentre os mais votados. Ushitaro Kamia, sim, foi eleito por um trabalho de integração, mas da comunidade okinawana que, finalmente, redescobriu o caminho das pedras: o corporativismo (que o diga a nova vereadora bispa Lenice, que conseguiu mais votos do que o seu próprio candidato a prefeito, Penna - PV). Agora, Jooji Hato não pode mais afirmar que não depende da comunidade nikkey, já que o passar de “raspão” dele foi graças a um apoio claro de uma parcela da comunidade do karaokê.

Quanto a Aurélio Nomura, tem de ser grato ao seu fiel eleitorado.
Assim, como afirmar que temos uma comunidade integrada, unida?
Mas por esses próprios resultados e pelo exemplo acima do Festival do Japão, dá para afirmar que “apenas não percebemos (ou esquecemos) o nosso potencial” e que, com um trabalho sério, voltado para isso, até 2008, ainda dará para convencer o ministro japonês.

Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br

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