EM TEMPO, OS DEBATES
Silvio Sam
Finalmente, com o encerramento das inscrições
no dia 7 de abril, ficaram definidas as chapas candidatas
à presidência do Bunkyô: Kokei Uehara (professor,
candidato à reeleição), Hiromi Tani (empresário)
e Hatiro Shimomoto (ex-deputado).
De volta, o renovado programa “Imagens do Japão”
(TV Gazeta), agora sob o comando de Mário Jun Okuhara,
até que tentou levar diretamente às casas dos
associados eleitores do Bunkyô, as intenções
dos três candidatos. Mas o tempo exíguo entre
a gravação (6ª feira) e o dia que iria
ao ar (domingo, às 19h30)) impediu algo mais proveitoso.
Sem contar que tiveram de aguardar até 5ª feira
(7/abr), à noite, pela definição dos
candidatos para formalizar os convites para a gravação,
no dia seguinte. Assim, limitados também pelo tempo
de TV, pouco puderam fazer a não ser apresentar aos
telespectadores os candidatos e um pouco de suas plataformas.
Mas valeu. O polêmico Centro de (des)integração
ficou para o dia seguinte, no Bunkyo.
Lá, a duração foi de quatro horas e meia.
Mais do que suficiente para exporem suas pretensões
e ainda ouvir os reclamos, e até sugestões,
de uma platéia “meio clac” (tinha uma senhora,
japonesa, que mais parecia um daqueles bonequinhos japoneses
com uma mola no pescoço, cuja cabeça balançava
incessantemente toda vez que um determinado candidato falava;
depois o aplaudia com muito entusiasmo e, às vezes,
até complementava verbalmente com algo que soava aos
meus ouvidos como um: “bravo!”). Esse debate começou
com cada um tendo vinte (!!?) minutos (vezes três =
uma hora!) para fazerem suas apresentações e
exporem as propostas... em japonês. E, depois, cada
depoimento... em japonês na primeira metade do tempo,
seguido da tradução para o português...
pelo próprio. Ou seja, a tradução nunca
era fiel à versão japonesa. Além disso,
pegos de surpresa, às vezes, usavam todo o tempo que
lhes cabiam com o japonês e, daí... “quem
entendeu, entendeu”. No fim, quem esteve lá pode
dizer que deram o recado e concluir que (pelo que eu entendi),
vença quem vencer tocará seus projetos de forma
independente, o que, aliás, é correto... em
situações sólidas, estabilizadas, harmônicas,
mas não para uma comunidade tão desagregada
como a nossa. Ao menos, não ouvi nenhuma oferta do
tipo: “estou aqui para somar, mesmo se perder, o novo
presidente pode contar comigo...” (ai, ai... bem que
me disseram que sou um sonhador). Enfim, apesar de meio enfadonho,
o debate até que transcorria normal, mesmo quando as
perguntas da platéia giraram em torno do polêmico
Centro porque as respostas dos três foram, “mais
ou menos”, direcionadas para a não realização
do mesmo. Até que um dos mediadores resolveu complicar
e pedir a essa platéia “meio clac” que
levantassem as mãos quem fosse a favor ou contra a
construção do Centro lá em Vila Leopoldina
e, depois, ainda queria que essa manifestação
fosse levada como referência por aquele que fosse eleito.
Tenha dó, né. Até porque mediador tem
de mediar e não opinar.
Uma coisa é certa: o debate que se precisa realizar,
hoje em dia, é com a comunidade. A entidade tem de
ter como interlocutor, a comunidade. E como instrumento, a
sua mídia. A resultante dessa inter-relação
é uma comunidade mais agregada. Em uma comunidade agregada
as necessidades surgem naturalmente e sob a ciência
de todos. E de uma comunidade como essa, se agregada, a necessidade
se transforma em realidade... facilmente.
Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br
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