UM VOTO DE CONFIANÇA
AO PROF. UEHARA
Silvio Sam
As Eleições para a diretoria executiva da Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa encerraram-se no dia 30 de
abril, sábado, num clima de incerteza. Mas também
de tranqüilidade, devido às ausências do
candidato Hiromi Tani, da chapa de oposição,
e de seus adeptos. Essas ausências, já exaustivamente
explicadas por todos os jornais da comunidade, só vieram
a consolidar o que mais tenho abordado sobre a desagregação
que impera no seio da comunidade.
Em momento para somar, é cada um por si. Mas esse também
não será o escopo deste artigo, conforme o próprio
título insinua.
O que pretendo, portanto, é tentar justificar a razão
do porque achar que devemos dar um voto de confiança
à recém eleita diretoria capitaneada pelo Prof.
Kokei Uehara, apesar de minhas abordagens nos artigos anteriores.
Não há contradição. Mas garanto
que, isso também não se deve ao anúncio
de que essa diretoria já abortou o projeto do Megacentro
de Integração, na Vila Leopoldina. Até
porque manteve a idéia de que o marco para o centenário
da imigração japonesa no Brasil tenha de ser,
sim, uma nova sede... desde que, no bairro da Liberdade.
Para “refrescar a memória”, tenho insistido
muito em afirmar que a prioridade máxima da comunidade
seja a busca de sua integração plena visando
uma convivência harmônica e um diálogo
verdadeiro com todos os segmentos; ao mesmo tempo, tenho afirmado
que, tendo isso concretizado, se uma nova sede for realmente
necessária, essa demanda surgirá naturalmente
de dentro da própria comunidade (o local passa a ser
até secundário); e que, assim sendo, os “kifus”
para isso ou aquilo, ou para qualquer evento viriam sem a
necessidade de ter de se “estender chapéus”
ou baixar cabeças (...ao Japão, por exemplo).
A comunidade é tão poderosa (mas ainda não
percebeu) que, unida, é até auto-suficiente.
Mas, então, por que dar o voto de confiança
se nada disso ainda aconteceu? A comunidade continua desagregada;
é cada um por si (por isso alguns grandes eventos coincidem
datas e se prejudicam um ao outro); os “kifus”
para uma ou outra realização rareiam devido
à desconfiança; e até então, as
iniciativas dessa entidade têm sido tomadas sem ouvir
a comunidade (inclusive, essa agora, de nova sede na Liberdade).
Bom, o voto de confiança, mesmo com desconfiança
(culpa do passado), é para comprovar que, se o momento
é para se somar, então, que tomemos a iniciativa...
ao menos, no início; apesar de o debate necessário
do momento seja o com a comunidade como um todo, qualquer
debate sempre tem serventia. Foi assim com aquele que envolveu
os três candidatos, no auditório do Bunkyo (apesar
do público composto basicamente pelas respectivas “claques”).
Como não fazia parte de nenhuma pude “observar”
com atenção, não plataformas, mas posturas;
dessa observação, surpreendeu-me a do candidato
eleito, Prof. Uehara, que falando em japonês (opiniões
contrárias à linguagem, à parte) mostrou
inéditas (para mim) desenvoltura, personalidade e coerência.
Não sei se devido à língua que domina
melhor ou à pressão recente da oposição,
mas a verdade é que o professor se mostrou “mais
presente”.
E, logo após eleito, foi enfático no que se
refere à busca da integração da comunidade
e ao diálogo, o mais amplo possível, inclusive
com opositores, cerne de todos esses meus artigos afins. Ou
seja, com um presidente “mais presente”, mais
atuante, não alheio e com todos esses propósitos
citados, incoerente seria eu se não o oferecesse o
meu voto de confiança.
Vamos nessa?
Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br.
Sílvio Sam, silviosam@nethall.com.br
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